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quinta-feira, 1 de julho de 2010

choque de realidade

se eu pudesse seguir todos os palpites que dou na vida dos outros
saberia que é a sua insegurança que te afasta
e só.
como o último pedaço de bolo do qual só sobraram farelos
se evaporou na vontade da multidão faminta
e todos queriam mais um pedaço
denecessário
gula
exagero.
Não que fosse matar a fome
mas porque era delicioso...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Libertinagem, - I


Menos um porque é como se eu desaprendesse a bater a cabeça. Agora tenho cuidado e medo, como quem vai por um caminho pela primeira vez.
Mas não é a primeira vez. Olhando as placas decoradas de "Atenção" e sentindo o coração acuado, prestes a ser abatido, ando por uma rua onde já conheço os buracos no chão, ansiosa pela esquina onde vou me perder. Mas é diferente: me protejo mais, porque ando bem devagar. Vejo os avisos colados na parede e só percebo seus desenhos, obedecendo os desígnios da trilha.
Desígnios. Ignís fogo, desejo, deserto.
A verdade é que agora a incerteza me vem leve e arejada. Não carrego nada comigo. Não tenho como lutar e nem quero: que lindo ser presa e examinada. Por todos os poros, em todas as pintas e manchas, marcas do meu corpo. Duas lanternas azuis com manchas verdes a inquirir a minha pele, segurando os meus pelos. É a leveza e o peso. (Porque não vimos o filme, claro)
Leve como deve ser tudo que é bom, nem por isso menos grave. O peso de viver com intensidade e paixão e não querer perder nem um segundo: o peso do corpo nos meus quadris.
Mas é suave. Sem guardar pra mim, um só pedaço. Sem querer mais do que o amanhã ou mais do que o desejo de estar ali naquela hora, no espaço de uma gargalhada sem fôlego. Sem meias palavras ou meios olhares, sem mentir e sem forçar. Eu não sei se é amanhã nem depois, ou se é hoje, sei que é bom.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

camiseta amarela

eu vejo assim: uma mão na curva das minhas costas diz mais que um romance inteiro. Mas tem a pressão certa, a força e o tamanho,os nós dos dedos, o jeito exato de pegar: não deve tremer nem exitar o olhar nem o gesto. Sorriso de dentes separados, sempre, a marca. E um olhar que arranhe a suave superfície da contenção, e demora a cicatrizar, e a marca da garra em linha vai me lembrar sempre de querer pular a janela, invadir adentro a dançar segurando a mão firme, que sabe levar com suas garras e prender num abraço, girando e girando sem um pingo de medo de cair, talvez só o mínimo de medo necessário para gelar suando e eu aperto mais forte. Tudo no espaço de uma canção que mostre a sua vida em alguns minutos e assim eu perco o fôlego e o maxilar reclama de tanto gargalhar, a leveza me eleva e eu sorrio sem querer e sem crítica, sorrio para nunca mais querer estar triste...

Libertinagem CL

A ordem

Eu preciso do governo
do posto
O mercado me abastece
Compro o homônimo, hormônio genérico
Como se a contradição empobrecesse.
Mas a condição sou eu.
Falam que mulher só é mulherzinha se for ordeira.
Meu pai dizia: que mocinha trabalhadeira, não tenho mais criança em casa.
Que mulher não recebe, não come
E vive dando, se não dá, voa.
Uma pessoa dada é perigo
Mas quanto mais se dá, mais se tem
Quanto mais preciso, mais rica fico

domingo, 7 de março de 2010

LIBERTINAGEM CCXXII"

Descarta!



Abra o regalo, veja o brilho do celofane
que ficará impregnado dos seus dedos
se segurar por muito tempo.
Faz um nó que vale um beijo e gire a chave-senha.
Agora chupe a bala que ela te ofertou
sorva o doce que arde a goela.
Quando saturar do açúcar e queimar
e passar pela sua cabeça que essas calorias são economizáveis,
Cuspa longe, pois
Você não suportará o ardor.
Se estiver em público, encontre algum lugar discreto onde possa, educadamente
pegar a bala da boca e segurá-la, até encontrar um lixo.
Coisa que não serve pra nada e ainda provoca cáries.

É como querer comer pimenta,
e saborear queimação em gotas
sabendo que a azia vai chegar logo.

Carta morta que empata seu jogo e fica ali, estorvando, te olhando brilhante.

Eu devia tatuar "não te envolve" na genitália.